Anemia por deficiência de ferro


A anemia é uma das causas mais freqüentes de procura por atendimento no consultório do Hematologista. De todas as anemias, a anemia por deficiência de ferro é a mais comum. Vamos entender um pouco como funciona a absorção de ferro no organismo e os mecanismos que levam a esse tipo de anemia. O Ferro no Organismo

O conteúdo normal de ferro no corpo varia em torno de 3 a 4 gramas e está presente na maior parte na hemoglobina, proteína contida nos glóbulos vermelhos, mas também é encontrada ligada a outras proteínas, como a ferritina, transferrina e mioglobina.

O Ferro e a Alimentação

A dieta comum de um adulto contém cerca de 10 a 20mg de ferro, mas apenas uma parcela disso é absorvida. A absorção desse mineral é influenciada pelo “tipo” de ferro ingerido. O ferro heme, ou seja, ferro obtido de alimentos de origem animal, como a carne, tem maior absorção do que o ferro, podendo chegar a uma absorção de 30%. Já o ferro de origem vegetal, chamado ferro não-heme, tem uma absorção média de 10% do total ingerido. Outros fatores também podem influenciar a absorção de ferro. O ácido ascórbico (vitamina C), por exemplo, pode aumentar o aproveitamento do ferro ingerido. Por outro lado, os alimentos com alto teor de cálcio, proteína da soja e fitatos (aveia e fibra de centeio), principalmente quando consumidos juntos com os alimentos que contém ferro, podem reduzir a absorção do ferro da dieta.

O Equilíbrio do Ferro

A perda de ferro diária ocorre pelo suor, pelo trato gastrointestinal e pelas células da pele. Essa perda varia em torno de 1 a 2mg por dia. Quando observamos o consumo médio e a absorção de ferro diário, em torno de 1 a 2mg de ferro heme (absorção de 30%) e 10 a 15mg de ferro não-heme (absorção de 10%), verificamos que a taxa total de absorção diária varia em torno de 1 a 2mg por dia. Dessa maneira, há um equilíbrio entre a perda e a absorção.

A Deficiência de Ferro

As mulheres em período menstrual podem ter essa perda aumentada em 0,5 a 1mg por dia, porém algumas mulheres apresentam perdas superiores, de 2mg/dia ou mais. Isso leva a um desequilíbrio que resulta no esgotamento das reservas de ferro e, posteriormente, na anemia por deficiência de ferro. Outras formas de sangramento, como as perdas de sangue no estômago (úlceras) ou intestino (tumores ou doença diverticular, por exemplo) também podem levar à anemia ferropriva (deficiência de ferro). Uma absorção inadequada também pode ocorrer em algumas situações, como nos pacientes portadores de doenças crônicas, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, gastrite atrófica ou após cirurgias bariátricas levando, freqüentemente, à anemia.

O Tratamento

O tratamento desse tipo de anemia baseia-se na reposição de ferro por via oral ou por via endovenosa. As apresentações intramusculares, embora disponíveis, caíram em desuso por serem dolorosas, terem absorção variável e por causar manchas na pele. O ferro da alimentação, ainda seja eficaz na prevenção da anemia, não é capaz de tratá-la quando já estabelecida, sendo sempre necessário o tratamento medicamentoso. Não menos importante é a identificação e o tratamento de sua causa (perda menstrual excessiva, sangramentos do estômago ou intestino, etc...). Por isso, toda anemia por deficiência de ferro precisa ter investigação de sua causa, mas ressaltamos que nem toda anemia é causada por deficiência de ferro.

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