A Síndrome das Pernas Inquietas tem relação com a deficiência de ferro?


Você já ouviu falar em síndrome das pernas inquietas? Sabe quais são os sintomas? Sabia que pode ter relação com a falta de ferro no organismo?


O que é?

A doença de Willis-Ekbom foi inicialmente descrita por Thomas Willis em 1685. Posteriormente, Karl-Axel Ekbom introduziu o termo “Síndrome das Pernas Inquietas” (SPI) e os primeiros critérios formais para o diagnóstico foram publicados em 1945.

Trata-se de um distúrbio de movimento do sono, definido como uma necessidade incontrolável de movimentar as pernas. É descrito pelos portadores da síndrome como um fenômeno bastante desconfortável e há um certo alívio dos sintomas com o movimento do membro afetado, porém esse alívio é apenas temporário. Uma variante dessa condição é a situação em que há acometimento dos membros superiores. É bem menos conhecida, porém descrita na literatura e já relatada inicialmente por Ekbom e até mesmo por Willis.

Muitas pessoas que são portadoras da Síndrome das Pernas Inquietas desconhecem o diagnóstico e acreditam que os sintomas são “psicológicos”, então fique atento no texto a seguir.

Quais são os sintomas e critérios diagnósticos?

Como descrito acima, o principal sintoma relatado é a necessidade incontrolável de movimentar as pernas (ou braços), acompanhada de sensação desagradável e que se alivia com a movimentação. Esses sintomas ocorrem durante o repouso e são piores no período da noite.


CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS

Os critérios diagnósticos foram publicados pelo Grupo Internacional de Estudo da Síndrome das Pernas Inquietas e podem ser lidos em http://www.irlssg.org/


Todos os 5 critérios abaixo devem estar presentes:

· Um desejo de mover as pernas, geralmente acompanhado ou causado por sensações desconfortáveis ​​e desagradáveis ​​nas pernas. Ocasionalmente pode haver desejo de se mover sem que o paciente perceba as sensações desconfortáveis. Às vezes os braços ou outras partes do corpo estão envolvidos além das pernas.

O desejo de se mover ou as sensações desagradáveis ​​começam ou pioram durante períodos de descanso ou inatividade, como ao se sentar.

O desejo de se mover ou as sensações desagradáveis são parcial ou totalmente aliviados pelo movimento, como caminhar ou alongar, pelo menos enquanto a atividade continuar.

O desejo de se mover ou as sensações desagradáveis ocorrem apenas à noite ou ​​são piores à noite do que durante o dia. Quando os sintomas são graves, a piora da noite pode não ser perceptível, mas deve ter ocorrido anteriormente, em outro momento.

Os sintomas não são explicados apenas por outra condição médica ou comportamental, como cãibras nas pernas ou batidas habituais nos pés.

Mas qual a relação do ferro com a SPI?

Sabe-se hoje que a história familiar de SPI é um fator de risco para desenvolvimento da doença, o que sugere uma possível predisposição genética. Além disso, pacientes com insuficiência renal, por apresentarem elevação da ureia (escória metabólica eliminada pelo rim), têm maior risco de apresentarem os sintomas.

As doenças dos neurônios periféricos (neuropatia) relacionadas ao álcool, diabetes e amiloidose e a doença dos neurônios motores também estão associadas à SPI. Além disso, algumas drogas podem ocasionar os sintomas.

Os mecanismos que levam à Síndrome das Pernas Inquietas ainda não são completamente esclarecidos. Uma das principais alterações descritas na literatura associada à Síndrome das Pernas Inquietas, no entanto, é a deficiência de ferro. Vários estudos correlacionaram os baixos níveis de ferritina a essa doença.

Alguns estudos observaram que a ferritina no líquido cefalorraquidiano (líquor) foi menor nos indivíduos com a síndrome do que naqueles que não apresentavam sintomas. Em outro estudo, a ressonância nuclear magnética (RNM) também demonstrou menor reserva de ferro no sistema nervoso central nos portadores da SPI quando comparados a indivíduos normais.

Tratamento

Existem várias medicações que podem ser utilizadas para o tratamento da SPI, mas antes de iniciar o tratamento medicamentoso é necessária avaliação dos estoques de ferro. (leia sobre a regulação do ferro no organismo)

O principal exame utilizado para avaliação desse estoque é a ferritina. Caso a ferritina se apresente em valores inferiores a 50mcg/L, é necessário realizar a reposição de ferro. Porém, existem algumas condições em que a ferritina pode se apresentar elevada mesmo com baixos estoques e ferro, isso porque a ferritina é uma proteína que pode aumentar em qualquer processo inflamatório. Quando isso ocorre há dificuldade na interpretação, sendo necessários outros exames.

Por isso, é importante uma avaliação médica minuciosa caso você apresente os sintomas descritos.

0 visualização
Você pode ser a

diferença

na vida de alguém!

Procure o Hemocentro mais próximo da sua casa.

Seja um doador de sangue

Rua Domingos de Morais, 2781

14º andar
Vila Mariana - São Paulo/SP
04035-001

© 2020 por CERQUEIRA HEMATOLOGIA em parceria com Anderson Cruz